segunda-feira, 17 de setembro de 2012

A voz do populismo

Suja suas mãos imundas
Com o veto que encerra
Suja a sua democracia
Ainda que o terno permaneça intacto

Sobrevidas e suspiros de democracia
Mentiras e calúnias de república
Obriga que mantenham a ditadura populista
Sem que antes possam confrontar

Incide no pensamento democrata
Não censura, mas decide
Não tortura, mas impõe
O que poucos querem ouvir

Já não seria bastante
Promessas e afagos
Um horário desinteressado
Dos que se fingem de boa fé

Dos letrados aos analfabetos
Atinge a todos da mesma maneira
Com sensacionalismo e incerteza
Sendo a voz que o Brasil não quer

STF mantém obrigatoriedade de horário da Voz do Brasil

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Baile Sombrio

Fardados e bem arrumados
De cassetetes empunhados
Acompanhados de um líquido apimentado
Todos prontos para uma ordem cumprir

Os pássaros em volta gorjeiam
Os muros em silêncio iluminam-se
Os peregrinos desinformados acordam
Garridos e garbosos em seus trajes

O cinza contrasta o azul
Confrontam-se em um baile sombrio
São os bem vestidos que expulsam os maltrapilhos
E a justiça cega que resplandece no São Francisco

O direito que,
Pede direitos,
Não o faz direito.
Esquece a quem deve defender.

GCM tira moradores de rua do Largo de São Francisco

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Chamas que chiam e chamuscam


Chamas que chiam e chamuscam
Xingam, protestam, imploram chuva
Não chove, ainda chamusca
Chaves não abrem, apenas fecham

São os casebres que vão ao chão
Como um futuro que se desampara
As chamas crescentes engole a todas as almas
Derruba os poucos com fé

As rodas, o destino esquenta
Permuta entre os coitados
Não perdoa os que vivem sentados
Tão pouco os recém nascidos

Serão todos reprimidos
Nem um pouco ressarcidos
Com um pouco de tristeza infinito
Amargurando o que não podem salvar

Lavam, escapam, desaguam
Os restos não mais importantes
A senhora e seu pequeno amante
Terão uma história a contar

Mulher de cadeira de rodas escapa de incêndio em favela e salva neto de 2 meses

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

Segunda-Feira

Quis o final de semana não ser bom o suficiente
Das sobrecargas do expediente
De incontestado à inconformado
De aguerrido à desempregado

São teus ares carregados
De cidade cinza plena
De trânsitos que gritos abafam
De corredores que tiros ecoam

No lazer de quem não tem mais vida
Um final as margens do precipício
Não altivo como no início
Derramado sobre o vaso triunfante

Foste arma que tirasse a vida
Fosse a vida que trouxesse a arma
Já não importa se tirou ou por ele lhe tiraram
A alma permanece intacta

Um enterro sem demora
Que das buzinas fúnebres não se acompanha
Balde e pano enxugam o sangue
Que dos brancos azulejos destoa

Homem é encontrado morto em banheiro do shopping Eldorado